Como um simples jogo passa ensinamentos para seu filho, muitas vezes melhor até do que você mesmo
Vivemos em um país onde, muitas vezes, bater para “educar” o filho ainda é considerado normal. Isso, na verdade, é reflexo de pais fracos — pais que não conseguem liderar a própria criação e, por isso, partem para o nível da agressão. Sim: agressão. Pais que não conseguem “conduzir” uma criança de cinco anos e escolhem a violência como saída.
É óbvio que crianças não têm um grau de compreensão muito elevado para perceber os ensinamentos ocultos por trás de um jogo. Mas, ao mesmo tempo, é incrível ver como, dentro do universo do Minecraft, elas conseguem seguir regras e aprender sem parecer “forçado”.
Que tal parar de criar seu filho como um boneco e começar a criá-lo para se preparar para um jogo?
Em um jogo, quem mexe as peças para subir de nível é o próprio jogador. O líder deve, no máximo, orientar e ajudar — não jogar por ele. Afinal, imagine você jogando um RPG de batalha: toda luta importante começa, e em vez de você lutar, aparece um vídeo de fundo fazendo tudo sozinho. Não teria graça nenhuma, porque você nem participou: só assistiu como se fosse um filme. E se você reparar, “líderes” explicando tudo passo a passo só acontece em tutoriais. Depois desse estágio, é você e os seus desafios.
Com o Minecraft não é diferente. Ele ensina, logo na primeira noite, que a vida não é fácil. Imagine a primeira noite: duas lãs no inventário, sem armas, só um graveto… e dois esqueletos atirando flechas sem parar. O moleque vai querer cavar dois buracos e se esconder. Lá dentro do jogo não tem ninguém que vá salvar ele — a não ser ele mesmo. E no dia seguinte é a mesma coisa: não vai aparecer nenhum Herobrine para matar ovelhas e construir uma cama para o seu filho. Não. É ele quem vai ter que correr atrás: fabricar a mesa de craftar, caçar ovelhas, conseguir recursos e fazer a cama.
Então por que você não cria o seu filho assim: preparando ele para aprender a se virar?
É óbvio que a tendência é ele preferir o joguinho, porque telas são viciantes. Mas por que não usar esse simples jogo como ferramenta para ensinar algumas lições?
Tem pais que não aguentam ver criança chorando: ou batem, ou deixam a criança assumir uma postura de decisão maior do que a própria deles. Só que eles estão começando a vida agora. É normal chorarem por não entenderem o mundo. A sua função é preparar seu filho para qualquer zumbi ou creeper que ataque — mas preparar de verdade, não entregando uma espada de diamante na mão dele e resolvendo tudo junto.
O caminho é ensinar seu filho a fazer a própria espada de madeira, mostrar onde dá para encontrar ferro, e então deixar que ele descubra que existem diamantes — e que ele mesmo queira ir atrás. Ele vai “morrer” no meio do caminho, vai chorar, vai ficar com raiva… mas vai levantar. E vai usar isso como combustível para vencer aquilo que derrubou ele no passado.
Na hora de lutar contra o Ender Dragon, não são os endermans que destroem as torres por ele. Pelo contrário: eles atrapalham. E mesmo assim, ele vence os endermans e destrói as torres sozinho.
Muitos pais julgam esse jogo incrível de forma ignorante, sem nem querer entender os ensinamentos e a história por trás. (E eu concordo: não pode existir vício. Se houver vício, é culpa de quem permite.) Mas também não julgue um jogo que consegue preparar uma criança, em algumas lições, melhor do que muitos pais.
O jogo ensina até no modo Criativo, se a gente parar para analisar. É um modo fácil demais, sem riscos e, com o tempo, enjoativo. E é justamente o risco que dá aquele frio na barriga e faz o jogo ter sentido. Então por que você tem tanto medo de expor seu filho aos riscos? Ao mundo enorme que existe lá fora?
O Minecraft mostra que, toda vez que você “morre”, você volta mais forte. Pode ter perdido aquela espada rara de netherite, mas em compensação aprendeu um encantamento para não pegar fogo ao cair na lava e não perder tudo de novo. Isso significa que ele nunca mais vai morrer? Não. Até jogadores experientes morrem. Mas significa que ele volta capaz de enfrentar uma batalha maior — porque não desistiu da anterior.
Da próxima vez que você for educar seu filho, lembre que um simples joguinho na Play Store consegue ensinar coisas como organização, planejamento e responsabilidade. E se um jogo consegue fazer isso com maestria, não é você que precisa gastar toda a sua energia para “domar” uma criança de oito anos — é você que precisa aprender a liderar, orientar e ensinar do jeito certo.
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