Porque existem crianças com vidas “fracas”, já no minecraft?

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Por que existem crianças fracas, já no Minecraft?

Qualquer jogador iniciante sabe que existem dois modos de jogo em suas vidas no Minecraft: Criativo e Survival.

O Criativo, digamos, é o modo sem aventura — uma forma de jogar em que você não morre e, ao abrir o inventário, já se depara com todos os blocos do jogo.

Já o Survival é completamente o contrário. Nele você tem “vidas” e perde os itens após a sua “morte”, ou seja, tudo pelo que lutou para conquistar. Todos aqueles diamantes que você pegou depois de passar quatro horas na frente do PC, morrendo para creepers em minas escuras e assustadoras, minerando e reconstruindo várias picaretas de ferro… pois é: você perde tudo.

O Criativo até pode ser legal por algumas horas. Afinal, você constrói o que quiser e não vai ter nenhum mob para te matar. Você tem literalmente “o mundo inteiro, de mão beijada”, sem precisar correr atrás de recursos, praticamente com “vidas infinitas”. Mas eu te garanto: você não vai conseguir jogar dez dias seguidos sem enjoar.

Parando para analisar, o modo Criativo é o verdadeiro sonho da grande massa de adultos no Brasil: ganhar os tão sonhados 300 milhões na loteria no final do ano, com o único esforço sendo levantar a bunda do sofá e ir à lotérica. Depois, as pessoas em suas vidas tendem a gastar dinheiro e viajar, com todo mundo acreditando que todos os problemas das suas vidas miseráveis vão se resolver só com um pouquinho de dinheiro enchendo os bolsos. Mas fica a pergunta: essa grande massa de pessoas, que tanto sonha em viver essas vidas no “Criativo”, consegue conquistar esse desejo tão aclamado?

E com as crianças não está sendo diferente. Por causa das ideias e da criação fraca de alguns pais — essa mentalidade de “conquista fácil” — muitas preferem já começar as suas vidas “no Criativo”, perdendo a chance de jogar um jogo incrível como o Minecraft no Survival. Fazem isso simplesmente por medo de perder os itens que conquistaram durante o joguinho. Só que o que mais ensina uma criança a evoluir e a se tornar alguém incrível é o processo, e não o resultado.

Com isso, elas acabam perdendo a chance de ter aprendizados valiosos que o jogo pode ensinar: não desistir, correr atrás dos seus objetivos e vários outros ensinamentos que o Minecraft (ou qualquer outro jogo bem feito) pode acabar passando. Basta observar com uma visão mais crítica. Eu diria até que o Minecraft poderia ser um “manual da vida”. No Criativo, obviamente, você não se depara com esses ensinamentos, afinal você já tem tudo sem ter feito esforço nenhum: “conquistou o peixe antes de aprender a pescar”.

Mas por que a grande massa das pessoas não consegue conquistar o tão sonhado “Criativo” em suas vidas reais?

A resposta é simples: não existe almoço grátis. Assim como no jogo, para você ter uma espada de diamante, precisa correr atrás de todos os passos da fabricação — desde a mesa de trabalho até os diamantes, que terão que ser procurados por horas em uma mina e minerados com uma picareta de ferro. Na vida real, muitas pessoas desejam, mas não correm atrás. Preferem uma vida mais fácil, quase como um “falso Criativo”: continuar no mesmo patamar, ganhando e gastando o mesmo salário de sempre.

Chega a ser triste ver crianças boas com medo de jogar um joguinho — na tela do celular ou do computador — simplesmente por estarem com medo de perder itens. Imagina como vão encarar a vida real daqui a alguns anos. Elas podem acabar se tornando, no futuro, os próprios “pais do passado”: com a ambição de ter aquela vida no Criativo, como a que jogavam no celular ou no PC, mas sem coragem de “perder itens” para conquistar o dobro. Isso vira uma falsa ambição, como a dos pais no passado, fazendo todo mundo lutar ainda mais em um Survival eterno.

E a vida é uma coisa tão linda para ser desperdiçada com falsas memórias de um Criativo inexistente. A pessoa vive com o objetivo de ganhar dinheiro (e nem é garantido que conquistar isso faça alguém feliz). No final, passa pelo mundo apenas carregando essa ideia. E lá se foram 90 anos de uma vida em que a pessoa fingiu um falso Criativo, mas viveu um Survival eterno.

Se naturalmente boa parte das pessoas não consegue jogar um jogo onde você nem chega a morrer de verdade — no máximo perde itens — como essas pessoas vão encarar a vida real, em que, para conquistar mais, você precisa deixar coisas para trás? Seja amizades, dinheiro, seja “blocos”. Pessoas fracas se apegam ao passado e continuam por lá. Pessoas inovadoras inovam em todos os pilares da vida.

Minecraft é um jogo cheio de aprendizados e lições, e, ao meu ver, essa é uma das maiores. Lá é um mundo onde você pode fazer o que quiser e construir o que quiser: um mundo totalmente seu. Então não desperdice a chance de ter o seu próprio mundo jogando de um jeito tão fácil que tira toda a graça de conquistar as coisas sozinho. Sinta a energia de ter a sua própria vila construída no suor, com horas de mineração. Você pode até perder horas do seu dia, mas vai ter sempre o prêmio de ter aprendido a pescar antes de conquistar o peixe.

Porque entre construir uma casa super legal no Survival e construir no Criativo… no Survival você sempre terá a memória de ter feito algo extraordinário, com várias lições por trás — e não a memória de ter se sentido foda por algo que você não conquistou de verdade.

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