Que Minecraft é um jogo incrível, todos nós já sabemos. Começamos praticamente sem item nenhum, em um mundo vazio, simples e até um pouco assustador.
Com o tempo, fazemos nossa primeira casinha — e as primeiras quase sempre são de terra. Isso se a gente não cavar só dois buracos e entrar. Caçamos alguns bichinhos, exploramos várias cavernas e conquistamos nossos primeiros ferros, ouros e os tão sonhados diamantes.
Evoluímos nossas armaduras: antes era couro, agora é netherite. Vamos para o Nether, onde morremos diversas e diversas vezes até que, depois de longos dias jogados, finalmente chegamos ao fim. Matamos o Ender Dragon naquela batalha épica, com torres e endermans. Os créditos sobem… e zeramos o jogo. Ok. E agora?
Os primeiros dias depois disso são vazios. Pegamos alguns foguetes para voar com o élitro, que coletamos na cidade do End. No começo, é incrível: tudo é novo, há novos lugares para explorar e construir, novos blocos para conseguir. Mas, aos poucos, essa animação vai chegando ao vazio.
Continuamos a jornada, fazemos construções mirabolantes, exploramos mais a cidade do End e, com o passar do tempo, aquele jogo tão promissor — que tomava oito horas do nosso dia — fica distante. O celular que antes até avisava que a gente passou mais tempo jogando do que na semana anterior… agora mostra que o Minecraft está há mais de 20 dias sem ser aberto.
Passam-se mais alguns dias e a única memória daquele mundo fica guardada no celular ou no computador, que às vezes já está até com o ícone do jogo “escondido” ou esquecido. A vontade de entrar no jogo já não é mais a mesma dos dias iniciais.
E nisso surge a pergunta: a vida real também é esse vazio?
Depois que conquistamos um objetivo tão desejado, bate esse tédio? Como se o único objetivo da vida fosse “matar o Ender Dragon”?
A vida parece, muitas vezes, como se a maioria das pessoas colocasse o sentido de viver apenas em “matar o Ender Dragon”, como se essa fosse a única graça do jogo. Só que encontrar o verdadeiro propósito não está apenas no fim: está em continuar depois dele. E, principalmente, está em todo o processo que levou até lá.
Muitas pessoas também reduzem o motivo da vida como se fosse só “encontrar o primeiro diamante”: ter dinheiro, status, bens materiais. Encontrar diamantes é legal, ok. Mas isso pode te jogar num vazio eterno, porque uma hora o seu objetivo era conseguir o primeiro diamante; depois vira o netherite… e quando você já tiver conquistado tudo? Vai criar um “novo item” do nada?
Na vida, o que dá vontade de viver não é o diamante em si, mas o propósito que nasce como resultado do caminho que você percorreu antes de conquistá-lo. A jornada inteira: os momentos frustrantes que te deram força para virar alguém melhor, as pessoas que você conheceu, cada bloco que sua picareta quebrou antes de minerar, cada vez que um creeper explodiu a sua paciência. E, mesmo assim, você continuou firme, aprendeu, evoluiu e passou a lidar melhor com qualquer mob que aparecesse para atrapalhar seu caminho. São essas lembranças e esses passos do passado que moldam seus próximos passos — e o propósito que ainda vai surgir.
O propósito do Steve era matar o Ender Dragon. Ok. Isso significa que a vida ficou chata para ele depois disso? Com certeza não. Ele ainda tinha um mundo inteiro para cuidar e proteger. Villagers e rebanhos para liderar, invasões para enfrentar, aldeias de pillagers para dominar e vencer. A vida dele não se resume a uma vitória: ela se resume a cuidar do mundo em que nasceu — e que vai acompanhar sua história.
E você: você cuida do seu mundo? Você corre atrás de resolver os problemas do seu mundo e aprender com eles? Ou só corre atrás de coisas materiais e supérfluas, como se fossem diamantes?
Pessoas que correm atrás apenas de “diamantes”, se você reparar bem, tendem a se sentir vazias. São pessoas que enjoam da vida antes mesmo dos 30 anos. Muitas vezes, acabam sofrendo com ansiedade ou depressão. Porque, como eu disse, a vida delas se resume a correr atrás de coisas materiais — e coisas materiais até escondem o vazio por um tempo, mas não acabam com ele.
Já as pessoas que correm atrás de cuidar do próprio mundo são as que evoluem. Elas entendem que o significado da vida não é só “vencer o Ender Dragon”. É continuar depois da vitória, levando junto os aprendizados da missão. Elas mantêm consistência, ajustam a rota, enfrentam o que precisa ser enfrentado e vão construindo, aos poucos, um objetivo mais verdadeiro para viver.
Quem só quer diamantes prefere viver acomodado em bens materiais, e muitas vezes escolhe não encarar a própria falta de sentido. A acomodação é ruim, mas é viciante. Afinal, é muito mais fácil se distrair comprando um iPhone novo todo mês do que encarar o próprio vazio e entrar numa batalha real em busca da própria felicidade.
No fim, o vazio que muita gente sente não vem de “terminar o jogo”. Vem de não ter um objetivo forte e claro para continuar a jornada. Porque a luta com o Ender Dragon não é o fim de tudo — muitas vezes, ela é só o começo.
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